Documentário sobre cineasta indígena será lançado nesta quarta-feira no Centro Cultural Valdon Varjão

Produção é realizada em parceria com a Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT), do Ministério da Cultura e do Governo Federal, com recursos da Lei Paulo Gustavo


Por Rota Araguaia em 15/12/2025 às 16:09 hs

Documentário sobre cineasta indígena será lançado nesta quarta-feira no Centro Cultural Valdon Varjão
Arquivo/Reprodução

Assessoria

O curta-documentário Divino: Sua Alma, Sua Lente, dirigido por Gilson Costa e Clea Torres, com co-direção de Divino Tserewahú, será lançado nesta quarta-feira (17), às 19h, no Centro Cultural Valdon Varjão.

 

Formado pelo projeto Vídeo nas Aldeias, Divino ganhou destaque nacional e internacional por seu trabalho militante, exibido em diversas mostras e festivais ao redor do mundo. Entre sua comunidade e outros povos indígenas, sua atuação é reconhecida como um importante instrumento de diálogo com a sociedade envolvente e de valorização da cultura tradicional.

 

Ao longo de 35 anos de carreira, Divino consolidou-se como diretor e roteirista de diversas obras audiovisuais. Sua forma singular de retratar o cotidiano Xavante contribuiu para transformar o cinema indígena no Brasil, ao registrar costumes, rituais e tradições dos povos originários. Entre suas obras mais reconhecidas estão os documentários O Poder do Sonho – Wai’a Rini (2001) e Wapté Mnhõnõ – A Iniciação dos Jovens Xavantes (1999), ambos considerados referências internacionais e precursores do cinema indígena brasileiro.

 

A produção é realizada em parceria com a Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT), por meio do Governo de Mato Grosso, do Ministério da Cultura e do Governo Federal, com recursos da Lei Paulo Gustavo. O documentário também recebe apoio institucional do Núcleo de Produção Digital da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).

 

Para a diretora Clea Torres, retratar a trajetória de Divino é uma forma de preservar a memória do povo Xavante. “Divino é um mestre cultural que revolucionou o cinema indígena no Brasil. Em suas obras, está preservada a memória do povo Xavante, incluindo rituais antigos que hoje já não são mais praticados. Seu trabalho é fundamental para o fortalecimento da cosmologia de seu povo”, afirmou.

 

A produção conta ainda com a direção e roteiro de Gilson Costa, professor da UFMT e pesquisador do cinema indígena brasileiro. Ele é autor da tese A’UWẼ HOIMANADZE: Práticas de Resistência na Produção Audiovisual Xavante (2019), que analisa as estratégias de resistência adotadas pela etnia Xavante ao longo da história e como o cinema indígena ultrapassa a dimensão da imagem, alcançando aspectos simbólicos, culturais e políticos.

 

Segundo o pesquisador, o audiovisual produzido por povos indígenas rompe com os padrões tradicionais do documentário. “É possível afirmar que o olhar construído com a câmera pelos cineastas Xavantes assume uma singularidade capaz de produzir narrativas que escapam à normatização do regime documental moderno, fortalecendo a afirmação cultural, a sociabilidade comunitária, a valorização da identidade étnica e as lutas enfrentadas pelos grupos Xavantes”, pontuou.

 

A Aldeia Sangradouro também recebeu a estreia do documentário no sábado (13), ocasião em que anciões, jovens e crianças puderam assistir à exibição do filme.



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